sexta-feira, 6 de julho de 2007

xreverx

um vídeo da xreverx de aracajú, que conta com membros do triste fim de rosilene (que tá entrevistado abaixo) achado no youtube. não há nome da música nem lugar do xou.
não conhece a rever, irmãzinha? então acesse o myspace delxs!

segunda-feira, 25 de junho de 2007

true lies: entrevista com triste fim de rosilene

a carla do true lies pirou na onda do soror e ofereceu ajuda! eu como sempre ando choramingando de fazer coisas sozinha, topei a ajuda na hora. e ela me mandou umas entrevistas que sairam em números passados do true lies, posto aqui a da banda triste fim de rosilene que eu tenho o super orgulho de ter lançado no split com ofensa e mais treta pelo meu selo alea records, junto com o selo bahiano estompim records. é bonito porque inaugura uma seção de entrevistas aqui no nosso e-zine, e também porque coloca mais em foco as bandas nacionais.
obrigada carla, pela entrevista e pela força!

Triste fim de Rosilene

O TRF é de Aracaju (SE), vocal de garota, um som rápido com variações bacanas, letras bacanas. Eles saíram num split junto com Ofensa (ES) e Mais Treta (BA).

(Entrevista respondida pelo Ivo()

A perguntar que não quer calar..., qual foi o triste fim de Rosilene?

Hehehe, realmente essa pergunta nunca se cala mesmo, vamos lá...

Rosilene foi uma empregada doméstica preta e pobre que morreu atropelada no RJ na mesma semana que o Aírton Sena, sendo que a diferença é que ela foi atropelada por varias vezes até que fizessem algo e a coitada só foi reconhecida pelas digitais,sendo que todo o país parou e chorou a morte do Sena e ninguém tava nem aí pra Rosilene, aliás, para as milhares de “Rosilenes” pretas e pobres pelo mundo afora..

O que aconteceria se Rosilene não tivesse morrido?

Gostei muito dessa pergunta, mas pra falar a verdade não sei dizer se ela estaria melhor viva, provavelmente ainda seria empregada doméstica e cuidaria dos filhos e filhas chat@s de sua patroa/dona, enquanto seus próprios filhos limpariam o lixo e fariam o trabalho sujo dos burgueses. Provavelmente ia envelhecer sem entender realmente o porque de sua submissão e lavando roupas com estampas de libertação animal dos moleques brancos que escutam hardcore.

“Trabalho ou tortura? Empregado ou escravo? A agonia embasada em necessidade será isso qualidade de vida?” (Trabalho ou tortura? TFR). Como os trabalhador@s poderiam tornar seu trabalho menos torturante, o que falta para a classe operária conseguir uma condição mais digna?

Na minha opinião a questão não é deixar o trabalho menos torturante, a questão é acabar com ele, conseqüentemente acabar com a lógica sem lógica do sistema que exige que o trabalho seja

fundamental da forma que o vemos. Pode parecer loucura, mas loucura mesmo é trabalhar todos os dias, se matar a cada segundo, ver a vida se esvaindo e ter que aceitar isso porque suas necessidades básicas foram privatizadas. Portanto não acredito que a classe operária possa conseguir uma condição mais digna enquanto está submetida às migalhas patronais e que fique bem claro aqui que não estou culpando a classe operária, mas acredito que apenas com a destruição do capitalismo poderemos tentar imaginar o que alguém um dia idealizou como dignidade.

Vocês lançaram o 3 way (3 bandas em trinta minutos, mais treta e ofensa), como está a divulgação? Quais são os próximos lançamentos/projetos?

Bem eu acho que o cd saiu bastante, porque estamos tendo muito retorno, pelo menos por parte de contatos, de pessoas que comentam nos shows e nos lugares que tocamos e que pedem entrevistas e tal, a divulgação foi bem maior do que eu esperava.. A gente gravou um material novo esse ano, mas ainda não lançamos, provavelmente deve sair no começo do ano que vem.

O número de meninas ativas dentro do punk/hardcore é muito pequeno, salvando

as exceções. Porque vocês acham que isso acontece, como "reverter" isso?

Ah tem muitos fatores, desde a autoestima abalada que as garotas tem e que é muito entendível que tenham pela formação que recebem ou até mesmo na reprodução de valores machistas/sexistas que a gente tem dentro da cena e as vezes nem percebe... é difícil falar disso, as vezes passo muito tempo pensando numa razão, mas acho que na real não existe apenas uma. Sobre como reverter isso acho que não é uma coisa que deveria partir apenas das garotas, mas em grande parte sim, tipo meter as caras mesmo, tentar fazer as coisas e se cair levantar.. um lance interessante que ta acontecendo por esse lado é o wendo, que é um grupo que treina técnicas de defesa feminina e de certa forma acaba dando mais segurança as garotas tanto na parte física que é importante mas também na parte psicológica que eu também acho primordial, e isso que eu falei serve pras todos os aspectos não só pra dentro da cena. Quem quiser mais informações sobre o wendo tem um site que a Dani fez pra explicar melhor. (www.wendose.cjb.net)

Obrigada pela entrevista, o espaço é aberto a vocês.

Então. valeu por ter interesse e paciência em fazer a entrevista, desculpa mesmo a demora pra responder. Eu particularmente gostei de responder essas perguntas porque se focaram mais em nossas posturas (apesar de eu estar falando apenas por mim) e eu acho que assim é que deve ser, tipo transcender um pouco a parte musical do hardcore e entender realmente o que aquelas pessoas tanto gritam. é isso quem quiser entrar em contato comigo pra qualquer coisa meu email é areianosolhos@hotmail.com, abraço a todos que merecem!

Contato: www.tristefimderosilene.cjb.net http://www.myspace.com/tristefimderosilene

sexta-feira, 15 de junho de 2007

clip do disforme

gente, o disforme- banda resenhada recentemente aqui no blog- tá com um clipe maneirinho da música comboio. colo o vídeo aqui pra vermos, queridas.

sábado, 2 de junho de 2007

mais do conflict (us)

dia 22 de fevereiro eu fiz uma postagem sobre o conflict dos estados unidos com um link para mp3 de um xou ao vivo da banda e fiquei querendo achar as letras da banda, claro que uma pesquisa googleiana só serve para achar letras de outras bandas (inclusive do seu homônimo inglês- bem mais famoso); mas consegui o e-mail do bill c. guitarrista da banda e escrevi pra ele pedindo umas letras. ele me mandou o encarte da demo america's right, que eu disponibilizo aqui pra vocês;

pouco tempo depois disso eu ganhei um exemplar da maximum rock n' roll do mês de maio exatamente porque havia uma matéria sobre o conflict estadunidense. se tratava de uma entrevista com a vocalista karen alman e com o guitarrista bill c; a matéria se chama "the story of conflict" e tem umas fotos muito bonitas ilustrando... o tom da matéria é bem interessante, quem conta a história é um havaiano chamado lance hahn, e exatamente por isso ele começa a matéria falando da importância que (para ele) foi uma banda de hardcore com pessoas não-brancas (especialmente se tratando de estadunidenses asiáticxs- como karen e como ele mesmo);

para mim, ler essa matéria foi bem interessante, e ela chegou as minhas mãos quase junto com as letras da banda, então o sentimento que eu tinha respeito da banda se aprofundou. durante as 8 páginas da matéria dá pra ter certeza do que era apenas uma intuição ao entrar em contato com a banda pela primeira vez: o caráter político da banda.

primeiro: era uma vocalista meio asiática numa cena composta majoritariamente por caras brancos (lembrando do que garotas asiáticas representam num imaginário estadunidense, com a guerra e etc)- só isso já era suficiente pra aguçar minha curiosidade, e ter a intuição de que essas coisas apareceriam de alguma forma em suas letras, etc.
segundo: questões feministas (mesmo que de uma perspectiva ingênua) não poderiam ficar de fora das temáticas dessa banda; karen (uma lesbiana assumida) é citada como precursora tanto do movimento riot como do queercore; era uma homossexual assumida e as vezes isso aparecia em suas letras e isso em 1980...
terceiro: eram pessoas que decidiram montar uma banda sem serem azes em seus instrumentos. eu acho isso uma das coisas mais fantásticas do hardcore e acho que ela ainda vale hoje em dia; você pode com dedicação e vontade aprender um instrumento e montar uma banda interessante com coisas interessantes a dizer sem precisar ser a melhor instrumentista do mundo. isso é o encorajamento número um do f-v-m (faça-você- mesma)

o que achei mais interessante/triste de todas as coisas foi uma fala da vocalista karen (k nurse) falando que o hardcore nos eua foi se tornando cada vez mais um espaço retrógrado e dominando por uma mentalidade machista, e de senso comum - no pior sentido: ensopada da ideologia de supremacia branca, masculina, hétero- uma mentalidade refratária à crítica política que era comum no "começo" do hardcore. acho que esse tipo de risco se corre em qualquer espaço de política (e acredito que em qualquer espaço em que um grupo de pessoas conviva a política aparece de uma forma ou de outra).

então, chega de conversinha, irmãzinha, vamos ao ponto:
- você pode baixar o LP do conflict chamado Last Hour (cuja capa está ali em cima) nesse aqui.
- você pode baixar a demo america's right aqui.
- você tem encarte frente/verso da demo do conflict America's Right aqui em baixo (clicando na imagem dá pra ve-la maior)

quinta-feira, 24 de maio de 2007

resenha: Disforme 64 Nunca Mais!

finalmente eu resenho a demo do disforme. agora na sua prensagem gringa; pra quem não sabe nossxs amigxs da disforme foram recentemente lançados pelo selo português not just boys fun que é especializado em bandas com mulheres, pra quem não conhece, disforme conta com tainara nos vocais gritados.

o disforme vem conseguindo muita atenção no nosso cenário e merecidamente: além do som delxs, são pessoas envolvidas com a cena e que ajudam a mante-la seja aparecendo sempre nos esquemas, mas também entrando de cabeça na correria de fazer xous. marcelo (também do podrera e de mais 5 mil bandas) é um dos caras que mais sacode brasília e que mais incentiva o pessoal do riacho fundo com o peru music fest, um festival já tradicional, petrônio e negrete (também de mil outras bandas) estão com o clorofila boys que é uma iniciativa de fazer xous no melhor estilo faça-você-mesmx (fvm), tainara é zineira do falecido volkana zine e organizadora de xous também.

então vamos para a demo: nessa re-edição gringa o cd vem em envelope de papel muito bonito (preto-e-branco do jeito que eu gosto), encarte com as letras e release com foto.

são 7 faixas de um hardcore rápido, simples e direto, bebendo das velhas fontes. o nome da demo vem da faixa 4 "o golpe e a bossa nova" que fala do golpe de estado de 64 e da censura e perseguição de presos políticos. as letras são em sua maioria rimadas, como era de prache entre muitas bandas na década de 80 e 90. os temas são políticos, falam de guerra, de consumismo, de como o poder nos massacra, mas também de temas que flertam com o feminismo.

na letra "mulher" meu olho-clínico-de-feminista-chata detecta uma questão que todas nós sofremos em algum grau e que nossa vovózinha (hehehe sacanagem) simone de beauvoir já diagnosticou lá nos idos dos anos 40-50: o modo como a linguagem patriarcal nos perpassa de tal maneira que nós mesmas, nós mulheres, falamos de nós na terceira pessoa, como se falassemos de outras pessoas, como os homens falam de nós. falamos "a mulher" em vez de falarmos "nós mulheres". vejam, isso não é uma crítica propriamente, é só uma reflexão em cima de uma questão que a letra me sucita.

o meu destaque vai para a faixa 3 "independência" que é uma das minhas favoritas, mas a demo é toda bacaníssima, bem gravada (lá no ME o estúdio número do underground candango). e, como ela já tem um certo tempo que foi gravada, dá pra ver o quanto a tainara melhorou os seus vocais de lá pra cá indo aos xous. inclusive, eu demorei tanto pra fazer essa resenha que elxs já estão no estúdio novamente, gravando novos sons para um novo lançamento. isso é que é banda eficiente e zineira ineficiente. olha que beleza!

fecho a resenha desejando uma vida longa e frutífera pra disforme, com uma felicidade enorme de ver cada vez mais e mais meninas produzindo na cena e sendo reconhecidas, sendo respeitadas, e cada vez mais caras percebendo, incentivando e curtindo a participação de garotas como eu, tainara e mais um tanto de outras meninas que estão ativas na cena.

você pode ver/ouvir/entrar em contato com a banda (adquirir sua demo, inclusive) nesses endereços:
http://www.fotolog.com/bandadisforme/
http://www.myspace.com/disformedf

[essa resenha também está disponível no dfhardcore]

sexta-feira, 18 de maio de 2007

para baixar e ouvir: sin 34 !!!


de Califórnia, terra do circle jerks, black flag, etc, mas precisamente de los angeles, vem essa banda, que pra quem curte hardcore californiano é uma boa pedida! hardcore americano dos anos 80 com vocal feminino e com um baixão de destaque!

formada por 4 caras e uma mina, teve uma vida curta, duraram de 81 a 84, e nesse meio tempo gravaram uma demo, um ep 7'' e um lp, e tocaram em uma porrada de xous. confira a discografia:

DEMO tape (1982)
DIE LAUGHING 7" (Spinhead, 1982)
DO YOU FEEL SAFE? LP (Spinhead, 1983)

achei o 7'' die laughing por acaso nos arquivos do antigo site something I learned today. você pode baixa-lo aqui! minha música favorita é "join the race" que é mais rápida e tem uma pegada mais energética.

pra quem quiser ler mais sobre a banda, tem uma página delxs no kill from the heart e também uma rápida história da banda, postada por seu baterista nesse site aqui

boa leitura e espero que curtam a banda!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

pra quebrar o silêncio

faz tempo que eu não posto, mas não pensem vocês, minhas queridas, que esqueci do blog. ando sem muito tempo, mas preparando umas matérias legais.

mais sobre o conflict (tem uma matéria sobre elxs no número desse mês da maximum rock n' roll- eu acabei de ler ontem e a matéria é muito boa, são relatos da vocalista karen alman e do guitarrista bill cuevas; eu também estou com o encarte da demo delxs xerocado pra disponibilizar algumas letras pra vocês), achei uns mp3 do sin34 que depois boto pra jogo (se der certo ainda essa semana) com uma resenhazinha e um rápido histórico da banda; também resenharei a demo da banda brasiliense disforme e, por falar nisso tem uma resenha do headbanger's attack que rolou nesse fim de semana, lá no dfhardcore. nessa edição tocaram duas bandas com mulheres nos vocais, a já citada disforme, e a utgard trölls. confere a resenha lá.

andei cogitando a possibilidade de transformar esse blog num zine de papel... mas planos são planos.

quero aproveitar o post pra fazer um chamado pro corpuscrisis 2007. acesse o site e saiba mais sobre esse encontro de micro-política feminista, ação anti-racista, resistência capitalista e mais uma série de coisas istas que acontece todo ano no distrito federal (essa é a terceira edição). veja a wiki do grupo e saiba mais sobre o evento de 2007.

é isso, irmãzinha, aguarde novas postagens... elas virão. enquanto isso vamos quebrando o silêncio com as bandas já postadas aqui e com nossos gritos que nunca se calarão.