terça-feira, 1 de abril de 2008

dia da mentira: primeira postagem do ano

parece mentira, mas não é.
eu voltei a postar, irmãzinhas.
primeira postagem do ano, que vergonha. mas é isso: muito estudo e correria, pouco acesso à internet e essa lenga-lenga de sempre.
mas o importante é que o blog se mantenha, mesmo que devagar e sempre.

essa postagem se divide em 3 partes:

1- queria divulgar um blog que tem uma idéia parecida com o sóror, o menstrual attack, feito por 3 meninas aqui de brasília, já tem umas postagens bacanas, visitem lá:
menstrual attack

2-queria disponibilizar para download o zine o coletivo corpus crisis fez ano passado. pra quem não conhece o coletivo corpus crisis, trata-se de um coletivo "de micro-política e guerrilha feminista contra o patriarcado" ou algo que o valha. o coletivo organiza, em brasília, um evento durante o feriado de corpus cristhi para conversar sobre política cotidiana, faça-você-mesma, feminismo, anti-capitalismo, diversidade (ou divergência?) sexual, anti-homofobia, anti-racismo, anti-especismo...
esse primeiro zine, chamado confabulando (o nome da finada wiki do grupo) trás alguns textos escritos a uma ou várias mãos. abordando temas como pornografia, luta anti-manicomial, estupro e abuso de confiança, linguagem inclusiva, aborto, além de textos sobre o retome a noite, o PORNós, e alguns textos ligados as duas edições passadas do evento.
baixe aqui o confabulando

3- pra não ficarmos sem uma musiquinha pra rebater.
a banda é o the bags, uma das bandas da primeira leva de punk rock de Los Angeles; 77 é o ano do primeiro xou da banda, que contava com três garotas: janet na guitarra pat bag no baixo e alice bag no vocal. a idéia inicial da banda era ser só de mulheres, mas pacabou que a formação ficou com joe nanini na bateria e geza x na outra guitarra.
uma curiosidade: nos primeiros xous elxs chegaram a tocar com um sacos de pão na cabeça (fazendo uma piadinha com o nome da banda), mas durou pouco tempo.

pra aquelas que lêem em inglês, dá pra ler uma entrevista bacana (mas meio maluca) com pat e alice aqui.
dá pra visitar o site de alice bag, que é muito bacana, tem várias fotos, algumas coisas sobre a história das mulheres no punk, alguns textos e entrevistas bacanas aqui.

seguem os vídeos das músicas babylon gorgon (na verdade só a música e uma imagem bem bonita da banda- acredito que a capa do disco survive) e violent girl (ao vivo no
TROUBADOUR em Hollywood em 1978- que dá pra sentir um pouco da energia do punk rock recém nascido- destaque para as cadeiras voadoras)

babylon gorgon



violent girl


quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

conexão true lies: entrevista arma laranja

vocês acharam que o sóror tinha acabado? aaaaaaaah mas acharam errado. o tempo andou curto, mas agora, de férias, vou postar adoidado!!!! a primeira de uma série de postagens surge graças à carla do true lies zine que sempre me dá uma força. confira!

a entrevista que você lê na seqüência, irmãzinha, saiu no último número do zine fluminense true lies, mantido pela querida carla. confira a entrevista na integra, visite o blog do true lies, e entre em contato com a carla, para adquirir sua cópia.

ARMA LARANJA

Punk rock bem feito, músicas curtas e energética, vocal feminino muito bacana.
Elxs são de Curitiba e gravaram um split 7" com o Besta Fera (SP).
Foto: Gabriel Ardanuy

Porque o nome arma laranja? Existe algo por trás das cores nos nomes das bandas?
Chico: O nome da banda originalmente era Câncer Kids, que era um dos nomes da mesma leva do Jesus mongolóide, Gente feia na tv e etc. Mas aí descobrimos que tinha uma outra banda com esse nome e decidimos mudar, na mesma época nossos amigos do Alzheimer também queriam mudar de nome, aí como tinha o Falso Branco eu sugeri colocarmos nomes com cores, pra iniciar uma nova era das bandas pós Terrorismo Brando. Assim o Alzheimer virou Duplo Cinza e nós roubamos um nome que o Mário já usava que é Arma Laranja. Sobre o nome em si, o Mário é bem melhor em teorizar a respeito dessas coisas do que eu, mas pra mim o importante é que esse nome é uma referência ao folclore punk daqui (uma vez um amigo nosso, o Nils portava uma arma de brinquedo e foi parado pela polícia, ao ser questionado sobre o motivo de carregar o artefato respondeu “eficácia simbólica”). Pra mim essa coisa toda de cores era uma celebração da nossa cena, que ainda conta com Choque Rosa, Olho Roxo e Preto Com Arma.

"E eu odeio sua economia, mas basicamente eu odeio você,odeio sua mãe seu pai, seu deus,mas principalmente seu pai" (trechos de Pressão,pressão,pressão) Porque principalmente o pai?
Chico: Essa letra é aquela coisa punk de mandar todo mundo tomar no cu ao mesmo tempo. Seu chefe, sua professora, sua mãe, seu pai, e por aí vai. Não tem muita reflexão, é um jeito de extravasar bastante adolescente. Mas esse destaque pro pai é porque o papel padrão do “macho- pai- de família-homem de verdade”, é pra mim, muito deprimente, uma espécie de panaca se matando por um pedaço de nada. E também porque é o que está mais próximo de mim.

”Perco o controle,você não sabe o que fazer,ansiedade,dor de cabeça
não venha me dizer o que é melhor pra mim” (trechos de Sangue no Olho)
O que inspirou vocês a escrever essa letra? A letra é direcionada a que/quem?

Bianca: A letra é sobre um tipo de situação que acredito que muitas pessoas passam, em diferentes tipos de relações íntimas, seja com o namorado (a), marido, esposa, mãe, pai, irmão... É sobre a nossa dificuldade de relacionamento, de diálogo, de comunicação. “Perder o controle” funciona como uma catarse sofrida, com raiva no sentido mais puro da palavra, angústia. Ao mesmo tempo é uma condição para seguir em frente, tocando o foda-se ao tipo de comportamento que nos é imposto, através de uma espécie de “crise” constante, sem esperança.

Com essa explosão do termo ‘hardcore’ nos grandes meios de comunicação, bandas pop punk, emo, bandas que de alguma forma começaram ‘independente’, e que agora estão fazendo fama e fortuna, que estilo vocês palpitam que seja a próxima onda do momento?
Chico: Se eu soubesse eu apostaria e ganharia dinheiro com isso, meu palpite é que o grunge tem tudo pra encontrar uma onda de renascimento nos próximos anos.
Mas a real, é que essa coisa do hardcore agora não tem nada a ver, é como rock e ROCK sabe? Uma coisa é a expressão máxima de liberação sexual, mental, espiritual da juventude, a outra é uma musica ligada a um estilo qualquer que é baseada em profissionalismo, quer o dinheiro da molecada e investe o lucro em obras de arte ou ações.Hardcore significa um milhão de coisas, mas originalmente é ser mais punk do que os punks, ser um punk hardcore, tipo pornô hardcore.

2007, trinta anos depois da primeira explosão punk, muitos depois do hardcore, e até o verão da revolução já ficou um adulto inteiro pra trás. Por que o punk rock é relevante hoje?
Chico: Eu tinha feito essa pergunta pro Mário do Duplo Cinza, bom...seguinte, tomara que não me entendam errado, mas tanto faz ser punk. Porque, sob um certo ponto de vista, até o Bam Margera é punk hoje em dia, então não é como se fosse uma questão de honra ser considerado punk ultimamente. O que isso quer dizer originalmente é (além do cara que dá o rabo na cadeia) um tipo de idéia subversiva dentro do rock, que não busca apoio no mainstream e por conta disso você faz sua própria arte, lança, grava, desenha, fotografa, tira xérox e vende pros outros sem esperar alguém te “descobrir” ou validar o que você produz. Eu particularmente gosto dessa idéia, e de ser parte de uma rede de comunicação com pessoas com práticas semelhantes. Eu gosto de saber que se eu for pra SP tocar em algum lugar que o Ruivo ou o Bá escolherem eu vou tocar com bandas que sentem essa mesma coisa. E a gente não pretende assinar nenhum contrato nem nada, então se isso é punk, se isso não é, pouco me importa. O Arma Laranja é uma banda de garagem, não de garage rock, mas uma banda punk de rock, que ensaia depois do trabalho. A gente gosta de Agent Orange, the Saints, Radio Birdman, Adolescents, the Dicks, Mercenárias, Dead Moon e Wipers. E somos espiritualmente ligados ao Bush, Velho de Cancer, Besta Fera, Duplo Cinza e Falso Branco.

O número de meninas ativas dentro do punk/hardcore é muito pequeno, salvando as exceções. Porque vocês acham que isso acontece, como "reverter" isso?
Bianca: Eu acho que isso acontece devido à nossa educação mesmo, que ainda é bastante machista. Ainda temos os papéis designados para meninas e para meninos, desde a infância. E o que acontece é que, se não rola um esforço individual, normalmente na adolescência, o negócio não vai pra frente. Ao menos no meu caso, foi difícil começar a tocar, por exemplo. Eu já ia em shows há alguns anos, e junto com algumas amigas que também não sabiam tocar, resolvemos montar uma banda pra gente aprender junto, e também foi difícil, porque o ambiente, no caso a cena hardcore era bem hostil em relação às meninas. Mas aí eu acho que tem que curtir bastante pra continuar. Com o passar do tempo eu fui percebendo que é tipo uma condição, não dá pra ser muito diferente disso, não dá pra se adaptar a um estilo de vida muito convencional, e fazer parte de uma banda punk é uma maneira de negar todo o resto, uma forma de assumir que eu não pertenço, ou ao menos tento não pertencer a um tipo de cultura “mainstream”. É um lance mais contracultural mesmo, que implica em várias dificuldades, principalmente em um país como o Brasil. Isso rola independente de ser homem ou mulher, é claro, mas acredito que seja mais difícil para a mulher estar inserida nesse ambiente, pois a pressão da sociedade é muito forte, e impõe valores e ideais que parecem já estar enraizados na nossa cabeça, é horrível mesmo. E é difícil porque acaba se tornando uma coisa marginal. Agora, vai de cada uma saber o que vale a pena. Eu prefiro abrir mão da segurança de uma vida mais convencional e arcar com as dificuldades, tendo outro tipo de satisfação. O que é triste mesmo é ver que a maioria das mulheres é bem machista, e realmente aceita o papel que lhes é imposto, na maioria das vezes essa cultura é tão lá embaixo que elas nem têm consciência da sua existência. Pra falar a verdade, não penso tanto mais nisso como antes, acho só que se mais mulheres tivessem mais coragem, seria bem melhor.

Depois do ep 7" (split com Besta Fera) quais são os planos, próximos discos?
Chico: Ainda esse ano deve sair pelo selo Criminal IQ um compacto só da gente chamado Pressão pressão pressão, com quatro músicas inéditas gravadas na mesma sessão de gravação do split. Fora isso, nós estamos fazendo músicas novas e tocando por aqui de vez em quando, e o plano é gravar de novo em janeiro do ano que vem.

Contatos: www.myspace.com/armalaranja

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

postagens de férias!!!! tozibabe

não, irmãzinha, a sororidade não morreu!!!
tô aqui firme e forte. e tenho visto a visitação crescer... bacana, bacana mesmo.
essa postagem aqui é meio estranha, porque acabei de conhecer a banda e já repasso.
encontrada no blog "good bad music for bad, bad times" essa banda vem da eslovênia, ex-iuguslávia, é um trio de mulheres e o som é um hardcore oitentista com aquela aura meio gótica, apocalíptica característica, os vocais são muito bacanas.
pra mim fica ali junto com o conflict e o nog watt entre as bandas mais bacana já postadas nesse blog.

não tenho muito informação sobre a banda, mas sei que fizeram parte, em 1985, de uma coletânea chamada Hardcore Ljubljana (a capital da eslovênia) que reunia algumas bandas de destaque da localidade delas. essa coletânea, ao que parece é bastante rara e clássica, difícil de encontrar, mas disponível para download pelo blog drunksongs (o link para download segue no final da postagem)

além disso, no ano seguinte lançaram um ep sem título, pelo mesmo selo FV zalozba, com 4 músicas de um hardcore simples, sombrio e envolvente cantado em sua língua natal.
a introdução da faixa trash tem direito a um claire de lune e tudo mais.

baixe o ep delas- [TOZIBABE- s/t 7″EP (FV, Iugoslavia, 1986)] aqui
baixe a coletânea hardcore ljubljana [Hardcore Ljubljana
FV Zalozba - 1985] aqui (o password é: drunksongs.blogspot.com )

veja um vídeo delas disponível no youtube:

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

nascida no porão

oi queridas,
como a última, essa é uma postagem super rápida.

tem um site que eu sempre que posso visito, é um blog de mp3 bem bacana, chamado born in the basement; já baixei muita coisa fina de lá. hoje enquanto baixava a segunda parte do fat elvis do big boys, percebi que tinha uma categoria "riot grrrl" lá com apenas uma banda cadastrada.

eu confesso - para a surpresa de muitas pessoas - que não sou muito fã das bandas que se rotulam (ou são rotuladas) como riot grrrl, mas o que tem lá pra baixar são os dois primeiros discos do bikini kill, banda que eu aprendi a gostar recentemente - depois de véia. bacana o post dx pessoal da natalidade subterrânea, eu mesma baixo agora, porque não tenho nada do bikini kill, a não ser uma fitinha herdada do meu querido leo da luna records. confere, querida! e caso você não tenha, baixe os dois primeiros discos de kathleen hannah e cia.

o link para baixar os discos é esse aqui!

ah! não se esqueça de dar uma olhada nos comentários, porque tem uns outros discos delas pra baixar. ah, tem uma página muito bonita com a discografia da banda, fotos, etc aqui!

não conhece o bikini kill? então, ouve umas músicas lá no last fm. se curtir ai a senhorita baixa.
ou então dá uma checada nesse vídeo:

terça-feira, 30 de outubro de 2007

postagem diferente


o tempo anda apertado, com estudos, aula, meu tempo de escrever o projeto se esgotando, bandas e tudo mais, mas o blog continua. a visitação aumentou muito e não dá pra deixar o esquema morrer.

hoje vou postar um esquema diferente. é uma divulgação de um link bem importante, o portalfeminista.org.br lá a gente acha uma série de artigos publicados em algumas das mais importantes publicações feministas do brasil, como a revista feminista (ref) e o cadernos pagu.
inclusive a ref está toda acessível via portal feminista. acabo de achar um artigo traduzido da minha querida donna haraway, bem como uma tradução que tinha ouvido falar da mãe do chicana feminism glória anzaldúa.

muito bacana, juventude.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

i object


o i object é uma banda americana (de nova york, pra ser exata) formada por 3 caras e uma mina, chamada barb; o som é um hardcore old school na acepção real do termo - um som influenciado pela velha escolha, hardcore oitentista: simples, rápido, músicas curtas e empolgantes. o vocal de barb é muito legal, meio rouco.

veja o myspace delxs aqui

você pode baixar o album teaching revenge delxs aqui!

além disso, posto um trecho de uma entrevista com a barb, um trecho mais relevante para nosso blog, aonde ela é perguntada sobre ser uma mulher numa banda de hardcore. confira, irmanita:

RC: What's it like being a women in a hardcore band? Do you feel like it's more difficult, that hardcore is a "boy's club?" Do you feel like you get taken less seriously as a hardcore band because you're a women?

Barb: I feel pretty lucky that I have not had to deal with sexism within the DIY scene. If anything, being a woman fronting a band who is vocal grabs people's attention more so than a male sometimes, and I use that factor to my advantage to speak my mind.
Sexism is still prevalent in punk and the only way to cut it out of our lives is to address issues and comments when they happen and say we don't stand for that in our scene. Being an active aggressive member of our scene as a female hopefully inspires other girls to get involved and brings the issue to light that girls play girls play instruments, write zines, put on shows, etc.


leia o resto da entrevista aqui!

veja uma música ao vivo da banda aqui:


quinta-feira, 13 de setembro de 2007

para baixar e curtir: romantic gorilla

tem um mês certinho que não posto nada aqui... o tempo anda curto.
muito estudo, aulas, muita correria, pouco acesso à internet.
mas não pensem que o blog morreu, ou que a vontade de mante-lo sumiu. eu sigo postando sempre que puder.

pra vocês, queridas, uma banda muito louca: romantic gorilla!!
a banda desse post difere das anteriores no seguinte sentido: é uma banda dos anos 90 e ainda viva, ao que me consta (apesar de pouco ativa).
ela vem do japão e conta com duas garotas na formação: uma vocalista (gori) e uma guitarrista (akiko)

o som é muitas vezes definido como power violence, rápido, louco e gritadíssimo (quando a música é grande tem um minuto e pouquinho). o vocal de gori é bem rasgado, o sotaque é estranho demais: as músicas são em inglês, na sa maioria, mas quase não dá pra entender. toda essa insanidade só poderia vir do japão.

a banda tem na sua discografia um split com spazz lançado pela sound pollution.

aqui nesse post temos metade (eu não tenho idéia de porque só metade) do full cd delxs chamado apenas de romantic gorilla.
a minha faixa preferida é "time up".
veja o site da banda aqui (tem a história da banda, fotos, etc)
baixe o cd aqui!